DRAGÃO AMARELO

 

TEXTO sobre RELIGIÃO

DRAGÃO AMARELO

 

O Decálogo

Iniciamos este tema com as seguintes reflexões sobre os textos extraídos de dois livros sagrados, conforme segue abaixo:

"EXPERIÊNCIA QUE PROVOCA DECISÃO
1. Moisés estava pastoreando o rebanho do seu sogro Jetro, sacerdote de Madiã. Levou as ovelhas além do deserto e chegou ao Horeb, a montanha de Deus.
2. O anjo de Jehová apareceu a Moisés numa chama de fogo do meio de uma sarça. Moisés prestou atenção: a sarça ardia no fogo, mas não se consumia.
3. Então Moisés pensou: "Vou chegar mais perto e ver essa coisa estranha: por que será que a sarça não se consome?"
4. Jehová viu Moisés que se aproximava para olhar. E do meio da sarça Deus o chamou: "Moisés, Moisés!" Ele respondeu: "Aqui estou".
5. Deus disse: "Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, porque o lugar onde você está pisando é um lugar sagrado".
6. E continuou: "Eu sou o Deus de seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó". Então Moisés cobriu o rosto, pois tinha medo de olhar para Deus." - Bíblia - Êxodo 3


"Fala Krishna:
25. Eis aí reunidos os parentes dos Kurus!
Fala Sanjaya (o narrador):
26. Então viu Arjuna, nos dois exércitos, homens ligados a ele pelos vínculos do sangue: pais, avós,
mestres, primos, filhos, netos, sogros, colegas e outros amigos - todos armados em guerra contra ele:
27. Com o coração dilacerado de dor e profundamente condoído, assim falou ele:
Fala Arjuna:
28. Ó Krishna! Ao reconhecer como meus parentes todos esses homens, que devo matar, sinto os meus membros paralisados, a língua ressequida no paladar, o coração a tremer e os cabelos eriçados na cabeça... Falha a força do meu braço... Cai-me por terra o arco que tendera...
29. Mal me tenho em pé... Ardem-me em febre os membros... Confusos estão os meus pensamentos...A própria vida parece fugir de mim...
30. Nada enxergo diante de mim senão dores e ais... Que bem resultaria daí, ó Keshava (um dos muitos apelidos de Krishna), se eu
trucidasse os meus parentes?" - Bhagavad Gita


Existe no gnosticismo, e em realidade, nas formas antigas que este nome já representou, um ensinamento que é dado e que trata Letra Morta e Letra Viva. Bem, o que é uma letra ou uma linguagem? É um meio, uma maneira de expressar algo. Seja ela verbal, escrita, simbólica, etc..

Todo este vasto conhecimento que foi entregue a humanidade por estes Seres de Consciência Desperta, e que se sustentam em formas, e também ao longo das eras, foram plasmados nas artes que observamos nos templos sagrados da antiga Índia, China, Pérsia, Egito, etc... bem como mediante livros sagrados e também mitologias, dentre várias vertentes dentro disto, assim como grandes poetas, enfim, diversas maneiras de expressar este conhecimento, esta Verdade, mediante estes valorosos buscadores desta Verdade, destes que se permitiram exprimir esta força que palpitava em seus corações, para o bem da humanidade.

No caso deste breve estudo que faremos sobre este tema do decálogo, nos deteremos a reflexão destes trechos deixados em livros sagrados, tais são a Bíblia e o Bhagavad Gita.

A Letra Morta dizemos que é o estudo desses materiais, sob o aspecto da mente, sob o aspecto dos seus preconceitos e ideais. A Letra Viva é baseada na informação dada pela Consciência, pela razão objetiva, pela realidade, ou verdade que determinado ponto de estudo nos exige compreender.


Basta olhar os textos sagrados acima, se analisá-los com a mente, veremos e imaginaremos (em realidade fantasiaremos, pois a imaginação em realidade e em verdade é um atributo que nos dá o Ser) histórias absurdas, ou sem sentido, o que nos faz apenas em rechaçar ou apenas crer no que está sendo dito, e nisto cria-se o materialismo e o fanatismo religioso, e isto está contido em duas mentes as quais são chamadas mente sensual e mente intermediária. Não vamos aqui tratar nosso estudo sobre estas mentes, quem queira aprofundar nestes estudos sobre as três mentes (sensual, intermediária e interior), procure estudar as obras do VM Samael Aun Weor, como a obra Psicologia Revolucionária, por exemplo.

De qualquer modo, esta análise fria, por assim dizermos, ou "ao pé da letra", que é esta letra morta, nos faz repetir histórias como papagaios, sem buscar realmente compreender o que está sendo expresso, ou qual o real valor ou significado do que estamos lendo ou estudando.

No caso do exemplo dos trechos acima, vemos o caso de Moisés. Quem estuda o gênesis, o exodo certamente deve se maravilhar com tanta sabedoria, tantas passagens que realmente merecem a mais profunda reflexão. Contudo, se observarmos a letra morta, veremos ou pensaremos que Moisés simplesmente subiu uma montanha, descalçou suas sandálias e conversou com uma árvore em chamas. Ou então outra passagem bastante conhecida na qual Moisés levanta a serpente no deserto e com a mesma serpente cura os israelitas. Este exemplos o que nos dizem? Para nossa mente realmente não faz sentido algum, se observarmos com nossa lógica comum e corrente. Porém, como falávamos, devemos procurar ler com outros olhos, os olhos da consciência, aprendermos a desenvolver esta mente interior, à letra Viva. Assim, desta forma começaremos a compreender realmente este conhecimento tão profundo que está contido nestes livros sagrados. É claro que são linguagens simbólicas estas bíblicas, e representam em grande parte a ensinamentos os quais cada um de nós deve vivenciar dentro de si mesmo, e por si mesmo, como os exemplos que citamos, devemos subir a montanha, ou seja, iniciarmos um caminho de reintegração com nosso Ser, nosso Deus particular, que está dentro de cada um de nós, isto é subir uma montanha. A árvore representa a nós mesmos internamente, quando obtermos o batismo do Espírito Santo, o qual é um fogo, já dizia-nos o Mestre Samael: "Deus é um Fogo devorador!". É claro que não é apenas isto, e nem que não tenha ocorrido realmente, mas está é uma das compreensões que cada um deve buscar por si mesmo, compreender.

O outro extrato é do Bhagavad Gita, na qual Arjuna com a ajuda de Krishna precisa aniquilar seus parentes. Se lermos à letra morta, obviamente seria absurdo supor que saíssemos matando as pessoas por aí, ou nossos parentes, não é verdade? De maneira que, devemos buscar compreender qual ensinamento este livro tão antigo e sagrado quer nos deixar?
Muitos sabem que Krishna é uma divindade, uma força Divina, e que no ocidente damos o nome de Cristo. Fica claro, que Arjuna, este guerreiro, neste caso, somos nós mesmos, como Almas, sendo guiados pelo Cristo, nosso Cristo Íntimo, nosso Ser, para que eliminemos nossos apegos, nossos desejos, nossas ilusões, que é a representação dos agregados psíquicos, ou seja, nossos parentes, os quais os queremos muito, e nos é muito difícil eliminar estes agregados de nós mesmos, pois o normal que há na humanidade é querer-se muito, é defender o ego.

Feito este estudo inicial, partiremos a estudar o decálogo. O que é o decálogo? deca quer dizer dez. E logo? Palavra, verbo. Ou seja, os dez verbos, ou como conhecemos, os dez mandamentos, as dez leis de Deus.

O que é uma Lei? A Lei serve para nos orientar, para não transgredirmos os direitos e deveres, é como um guia que serve para termos uma conduta aceitável dentro de uma sociedade. É o que vela pelo direito e pelo dever.

Se observarmos as leis humanas veremos que há absurdos, pois não condizem com as Leis Divinas, violações humanas, que dentro da Lei humana é permitido, mas que para a Lei Divina é um crime, e também leis humanas que não são permitidas e que para a Lei Divina é o correto. Aqui vale nossa reflexão, já que estas questões da Lei Divina, estudaremos em outra oportunidade.

De qualquer forma, há dez mandamentos, ou dez leis básicas entregue por Moisés a humanidade, e listá-las é necessário:

1. Amar a Deus sobre todas as coisas
2. Não jurar seu Santo Nome em vão
3. Santificar as festas
4. Honrar Pai e Mãe
5. Não matar
6. Não fornicar
7. Não furtar
8. Não levantar falsos testemunhos nem mentir
9. Não adulterar
10. Não cobiçar os bens alheios


Estes dez mandamentos, são leis as quais devemos procurar viver, em realidade e em verdade, sem poses ou desculpas, se é que verdadeiramente anelamos integrar-nos com nosso Ser, nossa divindade.

Pediremos encarecidamente que cada leitor faça sua análise, submeta cada lei que foi listada, a uma profunda reflexão. Aqui unicamete trataremos de exemplificar e explicar o sexto mandamento, ou a sexta lei, para buscar elucidar esta falta de compreensão acerca deste termo de Não Fornicar.

Este ponto é justamente o que fala de adquirirmos a castidade, ou seja, o que não fornica é casto. Castidade em verdade e em realidade nada tem a ver com exclusão do sexo. Pode parecer paradoxal, mas a verdade é que nos acostumamos com termos que foram deturpados e degenarados ao longo do tempo, e o seu sentido real e profundo acabou se perdendo.

A castidade é o manejo inteligente da energia sexual, da força sexual, valendo-se do uso do sexo entre estas duas forças opostas naturais, quais são o homem e a mulher, o positivo e o negativo, o pólo sul e o pólo norte, dia e noite, etc.... que mediante estas duas forças opostas, permitem a criação de uma terceira força, a neutra, o zero, o fluxo magnético. Esta é a força criadora, todos nós nascemos fisicamente mediante o sexo, todos nascem de um pai e de uma mãe, da fecundação de um óvulo por um espermatozóide, nehum de nós nasce de teorias, nascemos fisicamente, e esta mesma força é a que permite nascermos internamente, aí está a chave para o que chama-se segundo nascimento, como Jesus diz a Nicodemus: "o que nasce da carne é carne, e o que nasce do espírito é espírito". Ou seja, mediante o ato sexo, sem a perda da energia sexual, chegamos ao cumprimento deste sexto mandamento, nascemos como Alma, como Espírito.

Poderíamos descorrer sobre cada ponto, e até integrar cada uma das leis, mas aqui deixamos a relfexão para cada um, e vamos ao último mandamento, o qual é o grande mandamento, dentro dos dez mandamentos que é "Amai a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como si mesmo", ou seja, cumprindo os dez, chegamos a esta síntese.

Prática

Observação diária de nossos atos.Reflexão diária de nossos atos e palavras. Reflexão sobre o decálogo em nossa vida. Avaliar o que não nos serve para descartarmos (agregados psíquicos) e o que necessitamos conquistar (virtudes do Ser).

 

15/11/2017